Caro leitor,
Nesse instante a chuva bate na janela do meu quarto, acompanhada com ela me surgem diversos pensamentos e dúvidas sobre tudo e todos, porém o que mais martela dentro do meu turbilhão de sonhos e questionamentos é o querer poder entender e achar uma conclusão exata, livre de qualquer possibilidade de questionamento sobre eu, nós, enfim, sobre todas as pessoas do mundo. Apenas compreender o que se passa pela cabeça de cada uma e tudo isso apenas para poder explicar a situação que estamos.
Os meus pensamentos vivem se alternando entre uma "possível ligeira conclusão" do ser humano, ora creio que apenas fazemos as coisas por ingenuidade, não visando as possíveis consequências para ela, ora creio que o ser humano por ter uma capacidade incrível de criar situações dentro de sua cabeça, faz as coisas já tentando encontrar um resultado que lhe favoreça exclusivamente a si.
Como muitos conseguem ser tão hipócritas e conseguem ter a coragem de se acharem as "divindades mais puras, santas e perfeitas"?
Mas nos meus pensamentos, chego a um ponto onde existe uma barreira; barreira que nunca consegui passar; essa tal que me mostra que também sou humano, também vivo entre os bons e as "divindades" e por essa tal motivo começo a crer que também sou um desses hipócritas.
Que fique claro que não quero criticar ou julgar ninguém em meus pensamentos, apenas busco entender o estopim que leva-nos a essa característica inconfundível e única do ser humano.
Me pergunto se isso um dia isso poderia acabar. Em meus pensamentos acredito que isso só acontecerá no dia em que entendermos a nós mesmos e pudermos julgar nossas escolhas e atitudes, mas quem é o juiz mais honesto e puro para fazer esse auto julgamento sem se favorecer? É quando me vem aquela pergunta que alguns já devem conhecer: "Se você fosse um juiz e tivesse de mandar uma pessoa para o inferno e outra ao céu e essas pessoas fossem as duas que você mais ama na vida, seja pai e mãe, amigo ou irmão, quem você mandaria ao sofrimento e quem mereceria ir para os céus?" Por estes delírios de questionamentos, concluo finalmente, que nada posso concluir por definitivo à cerca desse pensamento inoportuno que não me deixa dormir.
Atenciosamente,
Paulo V. Ventura





